Ler mais Publico, 31 de Julho
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Professores com manifestação nacional única no dia 8
Ler mais Publico, 31 de Julho
Contributos para a História do Ecologismo em Portugal - Francisco Caldeira Cabral
A este núcleo inicial foram-se juntando outros cidadãos e cientistas que na sua actividade cívica e didáctica, desde cedo se esforçaram, não só pela divulgação do ideário da Conservação da Natureza como, particularmente, pelo desenvolvimento científico e tecnológico necessário à sua concretização.
Especial destaque assumiram as escolas de Silvicultura e de Arquitectura Paisagista do Instituto Superior de Agronomia onde se salientam, entre outros, os nomes dos Profs. Azevedo Gomes e Caldeira Cabral, para só citar aqueles que infelizmente já nos deixaram. É igualmente de realçar o papel do Eng.º Silvicultor José Lagrifa Mendes no caso particular da criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Tendo assumido pessoalmente a tarefa dessa criação conseguiu, passados trinta anos sobre as primeiras propostas nesse sentido, concretizar esse objectivo primeiro de todos os que pugnaram pela preservação do nosso património natural. [Fonte: Arquivos da Presidência de Jorge Sampaio ]
Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
PCP propõe novamente suspensão da avaliação de desempenho dos professores
Ler mais Assembleia da República, Iniciativa Grupo Parlamentar PCP, 22 de Outubro de 2008
A avaliação de desempenho, tal como se vai verificando, continua a basear-se numa perspectiva totalmente anti-pedagógica que concebe o processo de ensino-aprendizagem como um processo produtivo simples, em que o aluno é o produto e a escola, uma máquina. A sujeição da avaliação de desempenho a factores que não são lineares, por si só, introduz variáveis em número demasiadamente grande para que seja possível classificar toda a avaliação como um processo objectivo. Na verdade, nem o estudante é uma qualquer peça ou produto, nem as realidades sociais, económicas, materiais e humanas, são sequer similares na diversidade que a Escola Pública encerra. Isso significa que o Professor, tal como todo o sistema educativo, não pode ser avaliado em função de parâmetros estanques e administrativos, particularmente quando esses parâmetros conduzem a um desfecho condicionado pela existência de quotas para as avaliações de Excelente e Muito Bom. O sistema de quotas em si denuncia a lógica subjacente a este regime de avaliação e deita por terra qualquer possibilidade, por mais remota que fosse, de ser um regime apoiado em critérios objectivos.
O actual processo tem provocado situações de flagrante injustiça, fragmentando comunidades escolares, colocando professores no papel de avaliadores sem que para isso alguma vez tenham sido preparados, introduzindo como parâmetro para a avaliação de desempenho a avaliação que o professor faz dos seus próprios alunos e responsabilizando o professor por fenómenos sociais de causas profundas, como o abandono escolar.
A forma como os professores em cada escola são confrontados com a necessidade, os prazos e os métodos para proceder à avaliação do seu desempenho, a forma como os Conselhos Pedagógicos vão aprovando documentos apenas por respeito pela legalidade e pelo esforço dos seus colegas, nomeadamente, os instrumentos de registo de avaliação, denunciam uma situação de pré-ruptura e de esgotamento que exigem uma alteração da política no mais breve prazo.
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
E-livro gratuito - Neurotoxicidade e Ambiente (Neurotoxicity: Identifying and Controlling Poisons of the Nervous System)

Se quiser saber mais sobre os efeitos dos aditivos alimentares no seu cérebro, leia e consulte este e-livro Neurotoxicity: Identifying and Controlling Poisons of the Nervous System (em inglês, mas muito assecível).
Alguns dos aditivos alimentares é neurotóxico, o que significa que eles são capazes de alterar a actividade normal do sistema nervoso (e mesmo matando os neurónios). Os sintomas incluem:
* Fraqueza ou dormência
* Perda de memória, visão e de intelecto
* Cefaleias
* Problemas comportamentais e cognitivos
* Disfunção sexual
[Tradução de João Soares, fonte: Organic Passion Info]
Chamo também a vossa atenção para o Capítulo 10:a exposição ao chumbo, pesticidas na agricultura, e solventes orgânicos no local de trabalho e doméstico
Seria muito importante se alguma editora estivesse interessada em o traduzir para Português.
Versão para descarregar aqui
Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Pegada Ecológica- Atingimos o sobreconsumo - Isto é mais preocupante que a crise financeira
A crise de energia e matérias-primas que hoje assolapa os alicerces da sociedade industrial demonstra que os recursos desta nave espacial, o planeta Terra, são finitos. Esta crise refuta as premissas básicas da sociedade de consumo, com sua ideologia de expansão e esbanjamento ilimitados. (...) Sempre nos acusaram e continuarão nos acusando de radicais, de líricos, quando não de apocalípticos. Apenas somos realistas.[Fonte: Outra Política]
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008
Jornalismo de Ambiente em Portugal: fontes não oficiais com acesso priveligiado
Através do resumo da tese de Mestrado do meu amigo Gonçalo Pereira, que analisou a influência da Quercus na criação de notícias na área do Ambiente no nosso País, podemos perceber essa evolução, com base numa investigação sólida, entrevistas e em bibliografia (ver caixa) de autores, jornalistas e de outra áreas, que se debruçam sobre esta temática essencial na comunicação sobre e para o Ambiente e igualmente preponderante na formação de leitores.
Transcrevo esta passagem que me parece particularmente interessante.Aqui podem ler mais, no resumo disponível pelo Clube de Jornalistas.
Diríamos que a associação (Quercus) ganhou capacidade de reagir em dois tempos: por um lado, no domínio da informação rápida, consumida em um ou dois dias e especialmente vocacionada para uma alerta ou uma denúncia. Foi claramente para este tempo de intervenção que a Quercus imaginou as «acções dramáticas», acontecimentos totalmente exteriores à agenda política mas dotados de irresistível apelo para os jornalistas (o caso da abordagem ao navio de pavilhão cipriota no porto de Matosinhos foi motivo de 29 despachos no espaço de quatro dias!)
Por outro lado, à medida que ganhou notoriedade, a Quercus sentiu necessidade de se revelar como uma entidade capaz de se sentar à mesa com parceiros políticos ou industriais. Por outras palavras, em meados dos anos 1990, a Quercus começou a desenvolver insistentemente a sua «face de gabinete». Cultivou assim a vertente de uma associação com capacidade técnica para lidar com dossiers políticos e dotada de background científico para analisar processos complexos. Nasceu aí o segundo tempo de intervenção da Quercus, forçosamente mais disperso e mais “sério” aos olhos dos jornalistas.
Sábado, 25 de Outubro de 2008
FotoNaturis, - I Festival Internacional de Fotografia da Natureza, Leiria - até 26 de Outubro

O festival tem uma série de convidados nacionais, internacionais e como cabeça de cartaz uma exposição fabulosa, mais do que uma exposição uma viagem por este planeta: A exposição LIFE do fotógrafo Frans Lanting.
Frans Lanting (Estados Unidos), Staffan Widstrand (Suécia) , José B. Ruiz (Espanha) são os nossos três convidados internacionais, AEFONA (Associação espanhola de fotógrafos da natureza) a associação internacional convidada. Um programa de luxo para uma edição que se deseja como a primeiro de muitas edições de sucesso.
Este festival organizado pelo Fotonaturis.org com o apoio da Câmara Municipal de Leria é fruto do acreditar de um pequeno grupo de pessoas. Esperamos que o festival seja do vosso agrado!
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
F. William Engdahl - Bill Gates, Rockefeller e os gigantes dos OGM conhecem algo que não sabemos

Pode saber mais na sua página pessoal
A caverna no Árctico com as sementes do juízo final
Bill Gates, Rockefeller e os gigantes dos OGM conhecem algo que não sabemos
por F. William Engdahl, 3 de Dezembro de 2007
Em 2006, quando a maior parte das pessoas na situação dele pensa em retirar-se para uma tranquila ilha do Pacífico, Bill Gates decidiu dedicar as suas energias à sua Fundação Bill e Melinda Gates, a maior fundação privada 'transparente' do mundo, como ele diz, com uma doação de uns esmagadores 34,6 mil milhões de dólares e a imposição legal de gastar 1,5 mil milhões de dólares por ano em projectos filantrópicos a nível mundial a fim de manter o estatuto filantrópico para isenção de impostos. Em 2006, a oferta do seu amigo e sócio, o mega-investidor Warren Buffet, de acções no Buffet's Berkshire Hathaway no valor de uns 30 mil milhões de dólares, colocou a fundação de Gates em posição de poder gastar quase o mesmo valor de todo o orçamento anual da Organização Mundial de Saúde das Nações Unidas.
Por isso, quando Bill Gates decide utilizar a Fundação Gates para investir num projecto cerca de 30 mil milhões de dólares do seu dinheiro, vale a pena analisar esse projecto.
Não há nenhum outro projecto mais interessante de momento do que este muito estranho num dos cantos mais remotos do mundo, Svalbard. Bill Gates está a investir milhões num banco de sementes no Mar Barents perto do Oceano Árctico, a cerca de 1100 quilómetros do Pólo Norte. Svalbard é um árido pedaço de rocha reclamado pela Noruega e cedido em 1925 por um tratado internacional.
É nesta ilha esquecida por Deus, que Bill Gates está a investir dezenas dos seus milhões em conjunto com a Fundação Rockefeller, a Monsanto Corporation, a Fundação Syngenta e o governo da Noruega, entre outros, naquilo que é chamado de 'banco de sementes do fim do mundo'. Oficialmente o projecto chama-se a Caverna Global de Sementes Svalbard (Svalbard Global Seed Vault) na ilha norueguesa de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard.

O banco de sementes está a ser construído no interior de uma montanha na ilha de Spitsbergen perto da aldeia de Longyearbven. Está quase pronto para o 'negócio', de acordo com os comunicados. O banco vai ter portas duplas à prova de explosão com sensores de movimento, duas câmaras pressurizadas e paredes de betão reforçado a aço com um metro de espessura. Conterá mais de três milhões de variedades diferentes de sementes de todo o mundo, 'para que se possa conservar a variedade das espécies para o futuro', segundo o governo norueguês. As sementes vão ser embaladas de forma especial para protecção contra a humidade. Não haverá pessoal a tempo inteiro, mas a relativa inacessibilidade da caverna facilitará a fiscalização de qualquer possível actividade humana.
Falha-nos alguma coisa? Os comunicados de imprensa afirmaram, 'para que se possa conservar a variedade das espécies para o futuro'. Que futuro é esse que os patrocinadores do banco de sementes prevêem poderá vir a ameaçar a disponibilidade global das sementes actuais, quando a maior parte delas já está bem protegida em bancos de sementes existentes em todo o mundo?
Sempre que Bill Gates, a Fundação Rockefeller, a Monsanto e a Syngenta se juntam num projecto comum, vale a pena escavar um pouco mais por detrás das rochas de Spitsbergen. Se o fizermos vamos encontrar coisas fascinantes.
O primeiro ponto digno de nota é saber quem é que patrocina a caverna de sementes do fim do mundo. Aqui, em conjunto com os noruegueses, estão, conforme já dito, a Fundação Bill & Melinda Gates; o gigante americano da agrobusiness DuPont/Pioneer Hi-Bred, um dos maiores proprietários mundiais de patentes de sementes de organismos geneticamente modificados (OGM) e de agroquímicos afins; a Syngenta, a importante companhia de sementes OGM e agroquímicos, com sede na Suiça, através da Fundação Syngenta; a Fundação Rockefeller, um grupo privado que criou a revolução genética com mais de 100 milhões de dólares em sementes desde os anos 70; o CGIAR (Consultative Group on International Agriculture Research)a rede global criada pela Fundação Rockefeller para promover o seu ideal de pureza genética através da alteração da agricultura.
Ler mais em Resistir Info
Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
A suspensão da avaliação passa para a comunicação social
2. [JN, 23 de Outubro] A Federação Nacional de Ensino e Investigação (FENEI) exigiu mesmo ao Governo, na quinta-feira, a suspensão "imediata" da avaliação de desempenho dos professores e propôs a adopção do modelo simplificado, considerando que o actual processo "ameaça o funcionamento normal das escolas".
"Não tem sentido que instituições credíveis e de boa fé assinem um memorando de entendimento e, meses depois, venham dizer que afinal não é bem assim, ou que a situação mudou", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues à Lusa, acentuando que "quando duas instituições assinam um acordo de entendimento, devem cumpri-lo até ao fim".
Portal da Biodiversidade dos Açores

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
A Resistência dos Docentes- notícias de Suspensão do Modelo de Avaliação
ProfAvaliação de Ramiro Marques
Educação do Meu Umbigo de Paulo Guinote
A Grande Evasão - por Manuel António Pina

Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável pastiche de Woody Allen Para acabar de vez com o ensino, a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.
Os professores falam de desmotivação, de frustração, de saturação, de desconsideração cada vez maior relativamente à profissão, de se sentirem a mais em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais? [Fonte: JN, 9/10/2008]
Cartaz da Manifestação 15 Novembro e Posição do Bloco de Esquerda
Bloco de Esquerda recomenda ao Governo a suspensão do processo de Avaliação de Desempenho e a adopção faseada de um novo modelo de Avaliação de Escolas e Docentes, formativo, integrado e participado
(Projecto de Resolução dirigido à Ministra da Educação, a 20 de Outubro de 2008)
A aplicação ao universo de docentes, no corrente ano lectivo, do modelo de Avaliação de Desempenho, enquadrado pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008, veio confirmar as piores suspeitas quanto à sua natureza intrinsecamente complexa, morosa, desadequada e ambígua.
É hoje evidente que a forma não negociada e a incoerência técnica do modelo, afogando as instituições em actividades e rotinas que, não só não são entendidas, como prejudicam o trabalho com os alunos, é responsável pela desestabilização generalizada das escolas portuguesas. É hoje indesmentível que este processo impraticável está a provocar danos profundos no quotidiano das escolas, com graves consequências para a qualidade das práticas de ensino e aprendizagem.
Por outro lado, à complexidade e burocracia do processo imposto pelo Ministério da Educação acresce a não atribuição às escolas e aos docentes de condições efectivas de trabalho para a sua implementação, mormente através da disponibilização de horas para o efeito.
A experiência de avaliação teste, realizada pelo Agrupamento de Escolas D. João II, em Santarém, estima que um estabelecimento de ensino com 130 professores requer um total de 1.560 horas por ano para implementar o processo de avaliação vigente. Um número de horas que, como se torna claro, não está totalmente enquadrado nos horários dos professores, agravando assim a já dramática situação da sobrecarga a que estes se encontram, na maior parte dos casos, sujeitos, face à estimativa de cerca de 45 horas semanais efectivamente dedicadas à escola.
Mas os factores de destabilização e estrangulamento das escolas públicas através deste modelo de avaliação multiplicam-se. Há empresas contratadas para a avaliação de professores. Há fichas de avaliação para todos os gostos, consoante as decisões de cada escola e dos seus órgãos dirigentes; fichas de dezenas e dezenas de páginas, atestando a falência técnica deste modelo. Há escolas cujos Presidentes de Conselho Executivo sonegam o acesso às fichas de avaliação. Há casos de critérios ocultos para a atribuição de Excelentes e Muito Bons, como o acompanhamento de alunos pelos professores durante a hora de almoço, ou para apoios, que deveriam ser contemplados na componente lectiva. Mas há outros critérios bem visíveis e postos no papel como a obrigatoriedade de o professor ultrapassar em 7% as metas definidas pela escola, quando esta situa o limiar de sucesso em 85% e 90%.
O autoritarismo do Ministério da Educação e a total ausência de regulação do processo de avaliação têm despertado atitudes despóticas e autocráticas, comportamentos fundados em razões subjectivas e discricionárias, instalando-se um clima de medo e perseguição. O Ministério da Educação ignora ou pactua.
O modelo instiga fortemente à complexificação, que se traduz num crescente artificialismo, desviando a avaliação dos mais elementares princípios de equidade, justiça e universalidade, numa afronta acrescida à dignidade dos professores, que abandona precocemente o ensino a um ritmo jamais visto.
Mas todas estas práticas são, afinal, o fruto da raiz de um modelo que se afirmou desvirtuado pela ausência de credibilidade e verdade desde a sua origem.
De facto, o modelo de avaliação de desempenho docente não consegue mascarar as evidências: é um modelo barato e estrangulador da progressão, é mais uma rolha para além do congelamento das carreiras.
A avaliação entre pares, estabelecendo um sistema hierárquico artificial, através da distinção entre professores titulares e professores não titulares, dá lugar a situações inverosímeis que descredibilizam o próprio processo e lhe retiram qualquer legitimidade. O exemplo sublime desta incongruência é o caso de alunos orientados em estágios pedagógicos que se encontram neste momento a proceder à avaliação dos que foram os seus orientadores, formadores e avaliadores.
Um outro aspecto conceptual relevante, que cauciona gravemente a credibilidade do próprio modelo, aponta para a inclusão dos resultados dos alunos no resultado da avaliação de cada docente, enfatizando assim o entendimento (claramente subjacente ao modelo) , segundo o qual o sucesso educativo depende exclusivamente do professor. O peso do aproveitamento dos alunos no resultado da avaliação dos professores, que atinge na generalidade dos casos 7% do valor final obtido (podendo atingir os 10%), constitui um perverso convite à distorção de práticas e processos, colocando os professores perante dilemas moralmente inaceitáveis, inspirados numa clara pressão para a obtenção de sucesso educativo a todo o custo.
Consciente dos factores críticos que decorriam do próprio modelo adoptado, bem como da obsessão do governo em proceder à sua acelerada e irresponsável implementação, o próprio Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP), nomeado pelo Ministério da Educação através do Decreto Regulamentar n.º 4/2008, de 5 de Fevereiro, veio recentemente (num relatório datado de Julho de 2008), denunciar o reducionismo decorrente da vinculação excessiva dos resultados dos alunos ao desempenho docente, lembrando que
a utilização dos resultados escolares e a análise da sua evolução, para efeitos de avaliação de desempenho, não deve desligar-se do contexto particular da turma e dos seus alunos, nem limitar-se, de forma alguma, a uma mera leitura estatística dos resultadosacrescentando que,
no contexto da complexidade do processo de aprendizagem, não é possível determinar e aferir com rigor até que ponto a acção de determinado docente foi exclusivamente responsável pelos resultados obtidos, conforme a literatura científica consensualmente refere.
No mesmo relatório (Princípios orientadores sobre a organização do processo de Avaliação do Desempenho Docente), e numa clara concretização das fundadas preocupações quanto à apressada e autocrática implementação do modelo vigente, o CCAP alerta expressamente o Ministério da Educação quanto ao risco de a avaliação se constituir num acto irrelevante para o desenvolvimento profissional dos docentes, sem impacto na melhoria das aprendizagens dos alunos, que conviria evitar desde o início, advertindo acrescidamente para o que (neste início de ano lectivo) retrata fielmente a realidade quotidiana das nossas escolas, traduzida no sufoco da burocratização excessiva, [na] emergência ou reforço de conflitualidades desnecessárias e [no] desvio das finalidades formativas e reguladoras que um processo de avaliação do desempenho profissional deve conter.
Um governo socialmente responsável e consciente jamais teria permitido que a obstinada teimosia da actual equipa do Ministério da Educação tornasse necessário demonstrar, pela prática, as incongruências, contradições e irregularidades do modelo em vigor, que carece não só do devido cumprimento da legalidade em muitos dos mecanismos estabelecidos (sobretudo quanto ao cumprimento de normas elementares do Código de Procedimento Administrativo), mas que deveria igualmente revestir-se da necessária credibilidade e relevância, exigidas pelo próprio sistema educativo e pela sociedade portuguesa, tendo em consideração as finalidades a que o mesmo deveria incontornavelmente subordinar-se.
O actual modelo de avaliação de desempenho de professores constitui, de facto, pela sua manifesta falta de credibilidade e pela perturbação profunda em que mergulhou as escolas no corrente ano lectivo, um atentado à qualidade da educação e à dignidade dos agentes educativos, que reclamam justamente a sua imediata suspensão.
Na sequência dos fundamentos e propostas apresentados através do Projecto de Resolução n.º 288/X, de 11 de Março de 2008, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda reafirma uma vez mais, com a razão que o tempo e a realidade vieram dar à proposta então apresentada, a imperiosa necessidade de, uma vez suspenso o actual modelo de avaliação de desempenho, ser estabelecido um plano faseado e participado de implementação de um modelo de avaliação de desempenho de escolas e docentes cuja relevância, coerência, justiça e credibilidade sejam amplamente reconhecidas pela comunidade educativa e pela sociedade em geral.
Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda recomenda ao Governo:
1. A suspensão imediata do processo de avaliação de desempenho de professores do ensino básico e secundário, de modo a restaurar nas escolas as condições de tranquilidade, necessárias ao normal desenvolvimento dos processos educativos;
2. O desenvolvimento de um modelo assente numa lógica faseada e experimental, como o que se propõe nos pontos seguintes, capaz de articular de modo consistente e coerente o processo de avaliação de escolas com o processo de avaliação de docentes, relevando o cumprimento de alguns princípios fundamentais para a credibilidade dos processos de avaliação, entre os quais:
a) A consagração dos princípios de equidade, justiça e universalidade, inerentes ao sistema público de educação;
b) A articulação entre processos de autoavaliação e avaliação externa, mediada pela caracterização de contextos educativos e pela identificação de recursos necessários à prossecução de metas e objectivos;
c) A desvinculação absoluta dos resultados dos alunos da avaliação individual dos docentes.
3. Em conformidade com os princípios e requisitos enunciados, o modelo faseado de avaliação das escolas deverá prosseguir as seguintes etapas e processos:
a) Aprofundar e acelerar o processo em curso de avaliação externa das escolas, integrando e reforçando questões relativas à caracterização do meio em que as mesmas se inserem e as práticas e experiências de avaliação;
b) No âmbito deste processo, propõe-se a divulgação, até ao final do ano lectivo 2008/09, do relatório de avaliação externa, contemplando o maior número possível de escolas, que deverá identificar as boas práticas e aferir o peso das diferentes variáveis no combate ao insucesso e na melhoria da cultura de escola;
c) Até ao final do ano lectivo em curso, as escolas elaboram um plano estratégico de promoção do sucesso educativo e combate ao abandono escolar, partindo dos seus contextos de pertença, levantando os recursos considerados necessários e identificando metodologias, objectivos e metas;
d) Assumindo que o sucesso educativo é, antes de mais, uma missão de equipa, cuja responsabilidade não cabe a cada professor, individualmente considerado, as escolas procedem no ano lectivo de 2009/2010 à sua autoavaliação;
e) A autoavaliação das escolas parte da avaliação do trabalho desenvolvido por cada um dos seus órgãos colegiais (os diferentes conselhos) e obriga à publicitação dos resultados obtidos face às metas e recursos apresentados no início do ano; esta vertente de avaliação será inserida no quadro mais amplo da autoavaliação da escola, do qual cabe relatório, publicitado e debatido, quer no âmbito das estruturas da área pedagógica afim, quer perante a comunidade;
f) Até ao final do ano lectivo de 2009/2010, o Ministério da Educação e todos os parceiros, incluindo as estruturas sindicais, associações profissionais e demais organizações de professores, bem como estruturas representativas das famílias, de profissionais de áreas afins, definem, a partir de um amplo espaço de discussão, o modelo mais eficaz de avaliação individual de docentes, tendo em conta a sua responsabilidade social e pública, bem como a sua permanente inserção em contexto.
4. A definição do modelo de avaliação individual de professores assumirá as críticas e contributos já enunciados, mormente:
a) O desajustamento da periodicidade da avaliação imposta pelo Ministério da Educação e a sua substituição pelo período de cada escalão de progressão;
b) A necessidade de estabelecer as adequadas condições de avaliação, quer para avaliadores quer para avaliados, incluindo o direito à formação gratuita e à redução parcial e ajustada do horário de trabalho;
c) A assunção do docente como sujeito construtor da sua profissionalidade e, em conformidade, como co-decisor, nomeadamente em matérias como a escolha do momento de avaliação e a modalidade de avaliação;
d) A distinção clara entre a avaliação interna e efectuada por pares, que não pode ultrapassar a vertente formativa nem produzir efeitos aceleradores ou penalizadores sobre a carreira, e a sua articulação com a avaliação externa e integrando outros parceiros, devidamente qualificados, que poderá assumir aquelas componentes.
São Bento, 20 de Outubro de 2008
Os Deputados e as Deputadas do Bloco de Esquerda
O banco de Fichas de Avaliação de desempenho dos Professores, interessa também dar a conhecer à sociedade Portuguesa
2. Criou uma página electrónica e arrumou bem os documentos. Aconselho uma visita. A única forma de derrotar o modelo burocrático de avaliação de desempenho é conduzi-lo ao descrédito. Não há condições políticas para a revogação do decreto regulamentar 2/2008 e do decreto lei 15/2007 nos tempos mais próximos. Sejamos realistas. A luta dos professores deve centra-se em metas realistas. E se quisermos ser realistas, temos de dizer que, a médio prazo, o objectivo é simplificar o modelo, pondo fim aos aspectos mais burocráticos, time consuming e injustos. Já apontei críticas ao modelo.
3. A principal é o facto de ser um modelo que impõe uma avaliação entre pares. É essa avaliação entre pares que o torna injusto, parcial e burocrático. A avaliação do desempenho dos profissionais que trabalham por conta de uma entidade patronal deve ser feita pela entidade patronal. Neste caso, o ME. Os profissionais que trabalham por conta de um entidade patronal, como é o caso dos professores, têm mais do que fazer do que perder tempo a construírem grelhas e a fazerem reuniões e relatórios para avaliarem os colegas. A missão do professor não é avaliar os colegas: é avaliar os alunos. A avaliação entre pares é perigosa, cria um péssimo ambiente na escola e é sempre parcial. Enquanto não houver condições políticas para pôr fim à avaliação entre pares, o único objectivo realista é lutar pela simplificação do actual modelo.
4. Quem defende o contrário, ou vive na lua ou gosta do modelo. Convém não esquecer que, na profissão docente, também há burocratas.
Terça-feira, 21 de Outubro de 2008
XIV Festival Cine Eco, Seia
Este Sábado, vai começar em Seia o Cine’Eco – XIV Festival Internacional de Cinema de Ambiente da Serra da Estrela. Como é costume a grande imprensa dita de referência não lhe costuma dar grande referência. Por isso, os Amigos do Cine’Eco estão a pedir a outros amigos que ajudem a promover o festival e a dar-lhe a visibilidade que ele merece. (obrigado Mário Branquinho)
O sítio do festival é: CineEco
E o blogue é: CineEco 2008
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Educação Ambiental no Youtube - Kutangar (Angola)
Cada semente hoje é uma flor amanhã.
Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008
Portal Biológica (Portugal) e Portal Agricultura Biológica (União Europeia)
Pretende promover e divulgar a agricultura biológica, suas vantagens em termos de preservação da biodiversidade, isenção de pesticidas, melhor saúde e turismo mais sustentável. Possui ainda um conjunto de recursos bibliográficos e multimedia (a maioria já traduzidos para português).
Porquê o Portal Agricultura Biológica (União Europeia)?
As pessoas interessam-se pela agricultura biológica.Interessam-se pelas muitas qualidades especiais dos alimentos biológicos. Interessam-se pela enfâse que a agricultura biológica dá à produção com baixa utilização de elementos sintéticos, à protecção dos recursos naturais e da biodiversidade e ao bem-estar animal. Interessam-se também pela contribuicao da agricultura biológica para o desenvolvimento económico das comunidades rurais.
Estes foram os portais que dei a conhecer e expliquei aos meus Alunos, nesta semana do Dia da Alimentação.
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008
Manifestação de todos os Professores em Lisboa 15 de Novembro, Sim

Os movimentos emergentes de professores (entre os quais PROMOVA,APEDE, MUP) forçaram os sindicatos, estes já bastante desacreditados, pesados e obesos, uma vez mais a sair à rua.Porém os sindicatos, em vez de unir força e diálogo com os novos movimentos, isola-se e entram num jogo de protagonismos. Os professores continuam à frente do seu tempo: os novos movimentos de professores são quase movimentos libertários, autoconscientes e acreditam na deontologia mais profunda da Pedagogia e Ensino.Pretendem, creio, reconquistar aquilo que nós,Professores, mais que ninguém, nos preparamos e sabemos fazer melhor: ensinar.
Apelo a todos nos unirmos dia 15 de Novembro, em Lisboa.
Educação Ambiental no Youtube - Natural Resources Defense Council (EUA)
Canal inaugurado em Agosto de 2006, a Natural Resources Defense Council editou até este momento cerca de 60 vídeos, muito importantes, sobretudo porque denunciam crimes ambientais globais e apoiam projectos de desenvolvimento sustentável locais. Apoiam-se também em vedetas / estrelas de cinema (noemeadamente Clint Eastwood, e Robert Redford) e pop (Green Day) que granjeia mais auditório e mais vasto público.Alguns vídeos retratam a história desta prestigiada ONG.
Esta postagem é o meu contributo para o:

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Chris Martenson e a tripla crise energética, ambiental e financeira

Vamos mesmo TER que mudar de vida, quer queiramos quer não!
Algumas curvas fatais esperam por todos nós algures entre 2020 e 2030. E até lá, se não conseguirmos desenhar uma visão cultural alternativa para a civilização, haverá muita inquietação e tragédia.
Tudo o que você precisa de saber sobre economia sem frequentar a universidade, num extraordinário curso online, da autoria do cientista especializado em finanças e estratégias de sobrevivência, que é ao mesmo tempo, a par de Elaine Meinel Supkis e de Immanuel Wallerstein, um dos mais notáveis analistas (news services) norte-americanos da actualidade: Chris Martenson.
Domingo, 12 de Outubro de 2008
Dia do Blogue - Pobreza * Blog Action Day - Poverty
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Campo Aberto: Novo portal da campanha 50 espaços verdes - Porto

Uma boa notícia para o Porto e uma força positiva nos paradigmas da Agenda 21, Carta de Atenas e Carta da Terra. Foi formalmente inaugurado no dia 8 deste mês, o novo portal da campanha 50 espaços verdes em perigo - 50 espaços verdes a preservar. O portal reúne a informação recolhida ao longo da fase de trabalho de campo, ou seja, uma descrição e fotografias dos 113 espaços verdes propostos desde o início do projecto, em Outubro de 2006, até Julho de 2007.
Mais informações no Novo Portal, com descrição da campanha, espaços propostos, fotografias, mapas, actividades realizadas, etc.).
Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Stanislas Dehaene: "A neurociência deve ir para a sala de aula"
ÉPOCA – De que forma suas descobertas podem auxiliar no processo de educação?
Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
Peter Singer - Um Só Mundo - A ética da globalização

Um livro fundamental para a compreensão de tão fortes contestações e críticas à inoperância de instituições transnacionais como a OMC, G8 e Banco Mundial face à globalização, cujas decisões em defesa do ambiente e preocupação com os interesses dos países mais pobres ainda são meras manifestações de boas relações públicas. Seguidamente passo a citar o texto da edição Portuguesa desta sua obra:
Nesta obra estimulante, desafia-nos a pensar para além das fronteiras nacionais dos Estados e a considerar o possível significado de uma ética global no mundo actual. Singer coloca questões originais acerca de uma tal ética e fornece respostas esclarecedoras e práticas. O livro trata quatro grandes questões mundiais: as alterações climáticas, o papel da Organização Mundial do Comércio, os direitos humanos e a intervenção com fins humanitários, e a ajuda externa. Singer aborda cada uma destas questões fundamentais de uma perspectiva ética e apresenta alternativas à abordagem estadocêntrica que caracteriza actualmente a teoria e as relações internacionais. Em relação às alterações climáticas, por exemplo, o autor vê a questão ética como dizendo respeito a um recurso mundial comum - a capacidade da atmosfera para absorver gases residuais. De que parte deste recurso se devem apropriar os países desenvolvidos e que parte deve ser deixada aos países em vias de desenvolvimento? Relativamente à OMC, Singer pergunta se a organização permite que o comércio livre se sobreponha a todos os outros valores e passa em revista os dados que comprovam os que desmentem a ideia de que a globalização é benéfica para os pobres. Ao considerar os direitos humanos, o autor pergunta até que ponto podemos criar leis mundiais de protecção dos direitos humanos e quais deverão ser os critérios determinantes de uma intervenção quando estes direitos são violados. Por fim, Singer analisa as obrigações dos países ricos no auxílio dos países pobres. Colocando um desafio ousado às perspectivas limitadas e nacionalistas dos definidores de políticas, dos políticos e dos líderes dos Estados Unidos e de outros países, Singer apresenta pormenorizadamente uma forma prática de considerar as questões mundiais contemporâneas sob o prisma da ética. [Fonte: Gradiva]
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
Sobre publicidade verde e lavagem verde (greenwash)
Exemplo claro de anúncio de lavagem verde: basta visitar o sítio da Rainforest Action Network The Problem with Palm Oil e retirar as conclusões.
A página permite a qualquer um o envio de exemplos de lavagem verde, como anúncios de TV e de revistas, para que seja montada uma biblioteca online. Os subscritores também poderão votar. A página também conta com um fórum de discussão e dicas para promover acções online com o objectivo de atingir essas empresas e pressioná-las a eliminar suas práticas enganadoras.
A forma mais comum de lavagem é pela publicidade, mas também pode envolver diversas ferramentas de relações públicas: da formação de grupos de discussão a patrocínio de eventos verdes.
A Greenpeace estabeleceu quatro critérios específicos para melhor avaliar um empreendimento e práticas de marketing:
1.Publicidade
Usar publicidade específica ou campanhas de relações públicas para exagerar uma conquista ambiental e desviar a atenção para o real problema, ou ainda gastar mais dinheiro em publicidade para divulgar conquistas ambientais do que na solução do problema.
2. Negócio sujo
Anunciar um programa ou produto ambiental enquanto que o produto da empresa ou seu negócio principal é essencialmente poluente ou insustentável.
3. Jogo político
Anunciar, falar sobre ou usar grupos de pressão para divulgar compromissos verdes da empresa enquanto faz lóbi nos bastidores contra leis ou regulamentação ambientais.
4. Leis
Anunciar produtos como sendo conquistas ambientais quando eles são obrigatórios por lei.
A Greenpeace usou pela primeira vez o termo lavagem verde (greenwash, em inglês) em 1990, quando o uso de publicidade verde começou a crescer nas empresas, devido à pressão feita sobre elas sobre questões como destruição das florestas tropicais, destruição da camada de ozono, aquecimento global e depósito ilegal do lixo tóxico.
Sábado, 4 de Outubro de 2008
A Domesticação da Sociedade, por José Gil

Excelente artigo de José Gil na Visão de 2 de Outubro de 2008, que passo a transcrever.
A DOMESTICAÇÃO DA SOCIEDADE
Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Repensar EUA e seu lugar no mundo
Lia-se no blogue de António Cerveira Pinto , numa postagem de 15 de Agosto de 2008, que os Estados Unidos e Europa têm que mudar de vida quanto antes, tornando-se mais eficientes no uso da energia, menos consumistas e mais produtivos. Para aí chegar terão que abandonar alguns famosos instrumentos outrora cruciais ao seu exercício imperial, mas que já hoje são caros e irrelevantes, ou caminham para a falência: G8, FMI, Banco Mundial e Organização Mundial de Comércio. Para poder retomar a paridade estratégica que está a caminho de perder, Estados Unidos e Europa só dispõem de uma alternativa: voltar ao proteccionismo comercial, ainda que seguindo modelos selectivos, porventura originais.(...)
Numa palavra, a estratégia da supremacia imperial praticada pelos Estados Unidos faliu e só poderá dar desgostos a quem a seguir. A Europa de Leste foi entalada pela sua própria estupidez e pela falta de tino e capacidade de decisão da União Europeia.
Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Resultados do 1º Desafio Intermodal no Porto
No dia 22 de Setembro, o Dia Sem Carros, deu-se a primeira corrida intermodal no Porto, organizada pelo GAIA.
A corrida intermodal ou desafio intermodal pretende avaliar,de um modo lúdico, a eficiência em tempo, consumos de energia e de emissões de gases poluentes (e de efeito de estufa) os diferentes modos de mobilidade urbana.
No caso do Porto,inicialmente estavam previstos quatro concorrentes: Bicicleta, Carro, Transporte Público e A Pé. Depois foram acrescentados mais dois: a Mota e a combinação Bicicleta+Metro.
Os participantes reuniram-se no local de partida, a rua António Bernardino Almeida em frente ao Instituto Português de Oncologia. O início estava previsto para as 18h mas foi adiado devido ao atraso do concorrente Carro.
Este ainda teve que estacionar a sua viatura num local adequado e dirigir-se a pé para o local de partida, segundo as regras do concurso.
A partida deu-se as 18h15.
Os concorrentes Bicicleta e Mota partiram com os seus veículos directamente do local, pois os tinham consigo. Isso pareceu adequado para a Bicicleta, embora duvidoso no caso da Mota.
Os concorrentes Transporte Público e Metro+Bicicleta rumaram para a estação de Metro logo ali ao lado onde pouco depois passou uma composição. Tiveram sorte com este percurso, por não terem que recorrer a autocarros. De notar que desde há pouco tempo é possível levar a bicicleta no metro a qualquer hora.
O concorrente Carro dirigiu-se para o local onde o tinha estacionado, na rua da Circunvalação e começou a descer as ruas do Porto.
O local de chegada era a Casa da Horta, outro dos organizadores do evento. Como fica junto ao rio, sabia-se do inicio que a força da gravidade iria ajudar a bicicleta. Mas há muitos outros factores em jogo.
A Bicicleta, imune ao trânsito da hora de ponta, chegou em primeiro lugar, com 18 minutos. Em segundo lugar chegou o concorrente Transporte Público, que saiu na estação de metro de São Bento e continuou o caminho a pé.Demoraram 24 minutos.
Em terceiro chegou o Metro+Bicicleta, com 26 minutos. A aparente contradição
entre estes e o anterior deveu-se ao facto de este ter perdido tempo a comprar o bilhete andante para o metro.
Em quarto chegou a Mota logo seguida do Carro, ambos com 27 minutos. O Carro passou em frente à Casa da Horta antes do terceiro classificado mas depois ainda teve que procurar um lugar para estacionar, e regressar a pé.
Finalmente em sexto chegaram os concorrentes A Pé, que fizeram um passeio agradável pela cidade quase a esquecer que tinham um objectivo. Demoraram 99 minutos mas isso também se deve ao facto de terem feito paragens pelo caminho.
Cada percurso foi acompanhado com um GPS de bolso, para uma averiguação do caminho percorrido. Ver o mapa.
Alguns depoimentos:
Mara, A Pé: Para quem foi a pé, o caminho foi agradável! Exceptuando as partes onde os passeios são estreitos para os peões e o fumo dos carros entranha-se nas conversas, foi agradável passear pelos jardins, encontrar pessoas conhecidas, parar para ver a arquitectura do prédio, ou o pormenor da esquina....No final fica o sentimento de este meio de transporte, os pés, são os que melhor contemplam o espaço por onde se caminha e ao mesmo tempo, mais interactivo com o meio social. No entanto, não é conveniente para grandes distâncias e com horários para cumprir!
Pedro Gonçalves, Transporte Público: Quem foi de transportes públicos, teve a sorte de apanhar logo o metro no IPO. O metro estava consideravelmente cheio. Engraçado verificar que encontramos vários revisores, em várias paragens. Estavam, com certeza, a tentar apanhar alguém que tivesse a ousadia que no dia sem carros os transportes públicos seriam de graça. A câmara do Porto mostra mais uma vez quais são as suas prioridades. Nem transportes de graça, muito menos cidade sem carros. Engraçado também verificar, no entanto, que na fantástica, e não muito ecológica, corrida do red bull algumas ruas foram cortadas ao transito. Irónico.
Joana Cruz, Metro+Bicicleta: O uso do metro, neste caso específico, não se revela vantajoso... no entanto se o caminho fosse o inverso o metro seria, seguramente, a opção mais fácil, menos cansativa e mais relaxada! nas horas de ponta, por experiência, em quase qualquer parte do porto, não é muito agradável levar a bicicleta porque há um grande número de pessoas e torna-se mais incómodo e mais
stressante, do que ir, com calma, mm numa subida, em cima da bicicleta, ou a empurrá-la no passeio, encontrando pessoas conhecidas, respirando um ar mais
leve (apesar de tudo), e vendo um sem número de coisas agradáveis pelo caminho.
João, Bicicleta (e primeiro classificado) : Para quem foi de bicicleta, vários benefícios teve: o tempo, fresco, ajuda bastante a pedalar; o caminho, grande parte a descer, permite descansar em cima do selim. Acrescenta-se ainda a sorte com os semáforos, que foram todos cumpridos, e o estacionamento à porta, fica em aberto um desafio para o sentido contrário de forma a tirar as dúvidas.[Fonte:Gaia]![]()



